Mecanização florestal: a importância da gestão estratégica de máquinas

mecanização florestal - Kersys Máquina

O mercado florestal vem passando por mudanças recentes na última década e, apesar das oscilações ocorridas no período, há grande expectativa de crescimento para os próximos anos e a necessidade de implementar melhorias constantes para alcançar novos patamares de produtividade e lucro, como a utilização de sistemas mecanizados.

Os próximos níveis de produtividade deverão ser atingidos com a racionalização dos meios de produção e com o aumento da tecnologia (mecanização florestal) que neles é empregada, o que elevará a produção por área ao aliar redução de custos, aumento de eficiência operacional e redução de prejuízos socioambientais. 

Nesse sentido, o aprimoramento da gestão estratégica associada à mecanização das etapas de produção deverá garantir a excelência operacional necessária para maximizar os resultados obtidos com a silvicultura. 

O que é importante saber para atingirmos esse resultado?

Entre os meios de produção associados à silvicultura após a posse e propriedade das terras, a aquisição e manutenção do maquinário agroflorestal representa o segundo fator mais importante na composição do capital investido e o principal a ser considerado em termos de potencialização de redução de custos de produção. 

Em função do alto investimento exigido para sua aquisição, somado à depreciação das máquinas e aos valores gastos com manutenção ao longo do tempo, a correta utilização do maquinário e a sistematização das áreas podem trazer resultados impactantes ao sistema de produção atual.

O dimensionamento da necessidade de máquinas é uma das etapas mais importantes do planejamento, uma vez que permite determinar quando e como haverá maximização dos resultados obtidos sem que ocorra sub ou superutilização dos fatores de produção empregados. 

Dimensionamento de sistemas mecanizados

Esse dimensionamento permite que o produtor planeje com antecedência as operações que realizará e considera todas as especificações de máquinas e implementos que terá necessidade para concretizar tais operações: características requeridas de potência e tração, por exemplo, orientarão a compra correta dos equipamentos. 

A aquisição de maquinário com porte além do necessário e em número maior que o recomendado fornecerá potência em excesso ao sistema produtivo, o que eleva muito os custos de produção: haverá baixa utilização dos equipamentos e boa parte do capital investido pode ficar parado, sofrendo com depreciação monetária. 

Por outro lado, quando há aquisição de máquinas em quantidade inferior ao recomendado, outros problemas ainda mais graves podem surgir, tais como limitação da capacidade de execução das operações mecanizadas e prejuízo na qualidade e/ou quantidade do produto final. 

Atenção às perdas por pontualidade

Segundo MILAN (2004), esse tipo de problema está associado ao conceito de Perdas por Pontualidade, que corresponde aos prejuízos decorrentes da falta de capacidade para efetuar as operações na época em que a qualidade e a quantidade de um produto estão otimizadas. Isso ocorre, por exemplo, quando há baixo número de máquinas para realizar uma operação dentro do cronograma em toda a área planejada. 

A utilização das máquinas em capacidade operacional diferente da ideal também pode gerar problemas associados à manutenção — as corretivas serão mais frequentes, o tempo e a severidade das intervenções mecânicas também serão maiores. Essas ocorrências podem intensificar as perdas por pontualidade, além de elevar bastante o custo de manutenção e antecipar o momento de troca de frota. 

Em qual etapa do processo produtivo esses efeitos são mais sentidos?

Para o setor florestal, a bibliografia indica que os custos de Corte, Colheita e Transporte (CCT) são os maiores contribuintes do valor do produto entregue ao cliente final. MALINOVSK et al (2008), apontou que o CCT corresponde a valores entre 60 e 70% dos custos totais da madeira posta em fábrica, enquanto FERNANDES (s.d) indicou que esse valor pode ser superior a 50%. 

Apesar da variação entre os percentuais apresentados, os autores são unânimes ao concordar que esse é o principal componente de custo e destacam que os 60 dias finais do ciclo produtivo (de 5 a 7 anos) possuem mais peso na formação do custo final do produto do que os anos anteriores somados. Por isso, quanto maior o valor das máquinas utilizadas nesse período, maior o custo do produto e menor a rentabilidade das operações. 

Outro entrave associado aos custos com colheita diz respeito à realização dessas operações em áreas muito íngremes. A execução de atividades em locais montanhosos reduz a eficiência das operações, principalmente no que diz respeito ao transporte da madeira.  

Os avanços tecnológicos têm auxiliado nessa questão nos últimos anos. O desenvolvimento de máquinas (harversters e fowarders, por exemplo) tem acompanhado a necessidade de colher e transportar em áreas íngremes. Entretanto, o avanço da tecnologia traz luz a um problema diferente. 

A falta de treinamento dos operadores que lidam com tecnologias cada vez mais avançadas faz com que nem todos os recursos sejam aproveitados da forma correta e as máquinas continuem sendo subutilizadas. 

O que pode ser feito para reduzir custos? 

Muitas vezes, essas dificuldades não são visualizadas no dia a dia no campo e a percepção dessas ocorrências acontece quando começamos a controlar indicadores operacionais e financeiros, que nos ajudam a encontrar relação de causa e efeito entre os fatores e os resultados. 

Por isso, é muito importante planejar, acompanhar e comparar o desempenho de máquinas, de operadores, contabilizar e estudar os tempos e movimentos de cada operação. Quadros comparativos permitem a identificação de pontos de variação e dão a chance de aprofundar a análise para entender qual é a origem daquela diferença — às vezes, pode estar na forma como os operadores passam as marchas ou até na máquina escolhida para aquela operação.

Quais as principais ações?

  1. dimensione corretamente seus sistemas mecanizados;
  2. controle os indicadores de desempenho de máquinas;
  3. execute manutenções preventivas periódicas;
  4. promova treinamentos e atualizações periódicas dos operadores;

A boa gestão da mecanização florestal pode fazer a diferença entre o lucro e o prejuízo! 

Quer ter acesso a ferramentas de planejamento e controle do desempenho das suas máquinas? Então conheça o módulo de Gestão de Máquinas do e-Kersys

  • Controle os tempos de cada atividade: paradas operacionais, mecânicas e tempo efetivo de operação, com especificação de insumos e justificativas para cada uma;
  • Planejamento e controle de manutenções preventivas e corretivas;
  • Controle de abastecimentos;
  • Controle por máquina e por operador;
  • E muito mais!

REFERÊNCIAS

MILAN, M. Gestão sistêmica e planejamento de máquinas agrícolas. 2004. 100 p. Tese (Livre-Docência) – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2004.

MALINOVSKI, J. R. et al. Sistemas. In: MACHADO, C. C. (Ed.) Colheita florestal. Viçosa, MG: Universidade Federal de Viçosa, 2008. p.161-184.   

FERNANDES, H.C. Mecânica e Mecanização Florestal. DEA/UFV. Disciplina ENG 337. Viçosa, MG: Universidade Federal de Viçosa, s.d. 9 p.

0 Comentários

DEIXE SEU COMENTÁRIO!