Indicadores Florestais: o que é importante avaliar?

Painel Indicadores

A importância e evolução do setor florestal nas últimas 5 décadas é nítida: quando observamos o panorama geral e comparamos a área de florestas plantadas no Brasil em 1970 (1.658.226 ha) com a de 2019 (7.830.000 ha), percebemos aumento de mais de 370% (IBGE, 2007; IBÁ, 2019).

No mesmo período, a produtividade brasileira média do Eucalipto saltou de 15 m³/ha.ano para 36 m³/ha.ano, e em 2018, o setor de árvores plantadas representou 6,9% do PIB Industrial do país (HIGA, 1995; IBÁ, 2019).

Mas, e você, produtor, sabe qual foi o percentual de evolução da sua produtividade e dos seus resultados nos últimos ciclos de cultivo florestal conduzidos de seus projetos?

Só percebemos a evolução do setor florestal brasileiro, pois temos indicadores confiáveis e com métricas estabelecidas desde o começo da atividade. Na escala das fazendas, muitas vezes, a elaboração e acompanhamento dos indicadores locais são deixados de lado em função da correria do dia a dia. 

Neste contexto, não raras vezes, produtores adotam técnicas que estão tendo bons resultados em outras regiões, mas não alcançam os mesmos números quando executam tais atividades em suas condições locais. 

O cenário se agrava ainda mais quando percebemos que parte dos gestores não possuem a percepção nítida de que seus resultados poderiam estar melhores! 

Mas por que isso ocorre?

A ausência de controles específicos ou, ainda, a existência de controles ineficientes acaba por apresentar ao produtor uma realidade que está distante do que ele realmente está enfrentando no campo. 

Quer ver? 

Você sabe seus índices atuais de produtividade? Valor gasto com insumos por hectare? Conhece de verdade cada item que compõe seus resultados no campo e no escritório? 

Se você respondeu “Sim” e tem todos estes indicadores com fácil acesso, pergunto ainda: estes valores estão atualizados? Correspondem o cenário atual e exato em que sua produção está? 

Se você respondeu “Não”, nós temos um alerta: você está perdendo dinheiro! 

Definir e acompanhar critérios e indicadores de avaliação da produção florestal é passo fundamental para que isto não ocorra e para que você eleve seus resultados a um novo patamar. 

 

Os indicadores são as melhores ferramentas de percepção da realidade produtiva!

Indicadores são ferramentas de apoio à decisão e de suporte à demonstração de resultados. São também instrumentos que justificam ações e decisões tomadas pelos gestores e sua equipe. 

O principal benefício trazido por eles é o acompanhamento dos resultados obtidos em curtos intervalos de tempo, o que permite o diagnóstico precoce de setores e/ou operações que têm resultados fracos ou processos falhos. 

Este diagnóstico precoce permite a realização de intervenções rápidas e certeiras: ao invés de perceber resultados ruins ao final do ano, você consegue tomar ações que irão evitar prejuízos e otimizar investimentos. 

Considerando a importância destes números para validar se as percepções sobre o seu negócio estão corretas, é necessário que observar alguns cuidados no momento de elaborar e avaliar métricas.  

O que é importante considerar?

1. Seus dados devem ser confiáveis

Os apontamentos das atividades devem ser feitos com ferramentas que facilitem a coleta de dados e minimizem os erros na obtenção das informações, pois estas serão as bases dos indicadores.

2. Qualidade dos indicadores

Eles devem apresentar informações com significados claros e objetivos, que promovam uma compreensão completa e rápida da situação do negócio: todos devem entender o significado daquela métrica, não só os colaboradores que estão envolvidos diretamente com ela! 

3. Periodicidade das avaliações:

Para que possamos construir uma visão panorâmica da situação do negócio, é necessário possuir um histórico que permita a comparação do mesmo indicador ao longo do tempo. Por isso, não adianta elaborar um indicador novo a cada mês: se você não pode compará-lo, ele não terá significado efetivo. 

Mais do que isso: além de observar os números absolutos obtidos em cada métrica, é muito importante observar a evolução e a variação dos seus dados. Reduzir a variação temporal de indicadores é uma das formas mais eficientes de obter resultados promissores!

4. Plano de ação:

Não adianta ter vários indicadores e não tomar nenhuma atitude em relação a eles! Saber e conhecer métricas não significa obtenção automática de resultados. 

Eles nos dão ferramentas para perceber a hora em que é preciso tomar alguma ação para redirecionar os esforços em busca de bons resultados. Mais importante ainda é entender o porquê destes resultados e investir em melhorias. 

 

O que é importante avaliar?

Ciente da importância deste assunto, nós conversamos com o Engenheiro Florestal Cláudio Ramos, Consultor e Proprietário da BlackWood Business & Consulting, que comentou conosco sobre os principais tipos de indicadores florestais.

Para ele, os Indicadores Florestais podem ser divididos em 3 grupos:

  • Indicadores de Produção

São aqueles cujos dados coletamos a cada atividade executada no campo e que permitem a comparação entre o “Planejado x Realizado”. 

Como exemplos, Cláudio cita: ha plantados/unidade de tempo, m³ colhidos/unidade de tempo, combustível gasto/unidade de tempo.

  • Indicadores de Produtividade

São aqueles que permitem avaliar como se desenvolve o rendimento das diversas atividades florestais por unidade de produção. São exemplos: kg de fertilizantes/ha, plantio de mudas/ha, m³ de madeira colhida/ha, m³ de madeira baldeada/ha, kg ou litros de defensivos/ha.

É importante também que, neste tipo de indicador, haja um componente qualitativo para que a avaliação seja mais precisa. Por exemplo: número de mudas plantadas vivas após 30 dias/ha, kg de herbicida aplicado com X% de controle/ha, kg de formicida aplicado com X% de mudas cortadas/ha.

Dessa forma, poderemos avaliar o resultado de cada uma das atividades realizadas em comparação à Prescrição Técnica e analisar se estão sendo adequadamente executadas. 

Estes tipos de indicadores também permitem observar quais são as oportunidades de melhoria que existem em nosso contexto: quer por melhor treinamento dos operadores, quer por evolução de máquinas, equipamentos ou insumos adotados.

  • Indicadores de Desempenho

Por fim, a compreensão e desenvolvimento de Indicadores de Desempenho é um pouco mais complexa e demanda um excelente controle e armazenamento das informações, disciplina gerencial e utilização de programas adequados que permitam análises rápidas do desempenho florestal.

Como assim? 

É muito comum e relativamente simples obtermos, em qualquer conversa com empresas florestais, o Custo/ha da produção florestal. 

Informações como essas sempre são disponibilizadas rapidamente em R$/ha, seja na Fase de Implantação (Ano 0), nas fases de Manutenção ou no Custo Total da Floresta (Somatória das Fases). 

Agora, como devemos proceder para saber o impacto do custo de cada atividade em cada fase operacional do desenvolvimento florestal? Estes tipos de métrica são chamados Indicadores de Desempenho.

A criação e manutenção destes indicadores exigem, além da Prescrição Florestal por Fase/ano, das apurações precisas das Produtividades de cada operação florestal no mesmo período. 

Para Cláudio, essa é a principal razão para investir em ferramentas específicas para a geração dos indicadores florestais.

Gostou do texto? Agora queremos saber de você! Você realiza a gestão por indicadores? Comente abaixo:

  1. Não! Minha grande dificuldade é organizar meus dados.
  2. Sim, mas de forma precária. Sei alguns indicadores, mas parte deles está desatualizada. 
  3. Sim, controlamos nossos indicadores através de ferramentas específicas! 

Quais os principais indicadores que você acompanha?

  1. Indicadores de Produção
  2. Indicadores de Produtividade
  3. Indicadores de Desempenho

REFERÊNCIAS

HIGA, A.R. Painel: Eucalipto. Sua evolução e contribuição no Brasil. Silvicultura. Edição 63: Ano VXI – Set/Out 1995

IBÁ. Industria Brasileira De Árvores. Relatório Anual 2019 / Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ). – Brasília: 2019. 80 p. Disponível em https://iba.org/datafiles/publicacoes/relatorios/iba-relatorioanual2019.pdf acesso em 18/02/2020.

IBGE. Censo agropecuário 1920/2006: até 1996, dados extraídos de: estatística do século XX: produção vegetal: rendimento médio. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. Disponível em: https://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?vcodigo=AGRO02&t=area-estabelecimentos-ha. Acesso em: 20/02/2020

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