Utilização Econômica de Subprodutos Florestais

A produção florestal é caracterizada como atividade agrícola e agroindustrial de cultivo, colheita e transformação de matéria-prima lenhosa de origem vegetal em bens de consumo ou produtos de valor agregado.

Seus produtos são classificados em dois grandes grupos:

  1. Produtos madeireiros, obtidos a partir do processamento direto da madeira – como celulose – ou passível de aproveitamento nas indústrias – como nas indústrias moveleira e de construção civil, e
  2. Produtos não-madeireiros, obtidos a partir do processamento de matérias-primas extraídas das árvores, como resinas e látex.

 

Mas você conhece todos os usos possíveis destes materiais após a colheita?

Considerando o cenário de exploração de árvores plantadas (áreas de reflorestamento), seus produtos abastecem diferentes indústrias e, com investimentos em pesquisa e inovação, é possível diversificar o uso da madeira de forma sustentável e com retornos econômicos interessantes em uma mesma área de plantio.

Quando consideramos a implantação de uma área reflorestada, é imprescindível que ela seja antecedida por um planejamento que defina a espécie a ser cultivada em função da demanda regional por produtos – o que garante a rentabilidade da produção.

Isto porque, a mesma matéria-prima pode passar por diferentes tipos de processamento primário e dar origem a mais de um subproduto florestal.

Para exemplificar, vamos considerar o aproveitamento da madeira em tora e seus resíduos (aparas, cascas e outros):

  1. Se este material for submetido ao processo de Pirólise, dará origem ao Carvão Vegetal e poderá ser utilizado na Siderurgia;
  2. Se este mesmo material, no entanto, for submetido ao processo de Picagem, dará origem ao Cavaco – que poderá passar ainda por processamentos secundários e alimentar diferentes indústrias, como:
    • Siderurgia, com Bioquímicos;
    • Gráfica, de Embalagens, Higiene e Cosméticos, e Têxtil, com Celulose e Celulose Solúvel (viscose);
    • Energia e Agronegócio, com geração de calor;
    • Moveleira, com painéis reconstituídos.
  3. Além disso, através de processos de laminação e desdobramento, a mesma matéria-prima pode alimentar as indústrias de movelaria e construção civil.

 

E como é possível explorar mais de um destes subprodutos?

A exploração destes subprodutos deve ser consciente e planejada: dependendo da espécie florestal cultivada (como Eucalipto), é possível realizar desbastes nas áreas produtivas em períodos anteriores à colheita rasa e destinar este material colhido à produção de cavaco, por exemplo.

Povoamentos florestais colhidos com menor idade usualmente são destinados a produtos com menor valor agregado, mas que garantem receita em médio prazo. Além disso, práticas como a desrama também fornecem galhos e matéria-prima para a comercialização destes tipos de subprodutos.

Destaca-se que, em um momento de preocupação mundial com sustentabilidade e redução do uso de combustíveis fósseis, o uso da biomassa florestal como fonte de energia possui tendência de crescimento e poderá alimentar cada vez mais caldeiras, secadores e outros equipamentos utilizados na agroindústria de grãos, cana-de-açúcar e outras culturas.

Resíduos do campo e da indústria da madeira também podem ser utilizados para o fornecimento de energia.

Com o aproveitamento escalonado e consciente ao longo do período de produção florestal, é possível gerar renda em médio e longo prazo, com fornecimento de produtos de maior e menor valor agregado.

E pensando no futuro: você já ouviu falar em precificação de carbono?

Diante do cenário mundial de busca por fontes renováveis de energia e mitigação de emissão de gases do efeito estufa (GEE), uma grande oportunidade desponta à silvicultura brasileira: a utilização econômica de créditos de carbono.

Medidas governamentais tem sido tomadas por diversos países para viabilizar a solidificação do mercado de carbono, que, em suma, obriga empresas e indústrias que possuem altas taxas de emissões de GEE  a pagar pelo proporcional emitido.

Isto abre a possibilidade de empresas que investem em biocombustíveis ou possuem áreas plantadas que consomem CO2 da atmosfera (gás carbônico – o principal GEE) comercializarem seus estoques de carbono.

Neste sentido, apenas em 2018 no Brasil, o estoque de CO2 eq do segmento florestal somou 4,2 bilhões de toneladas (IBÁ,2019). Com a regulamentação do mercado de carbono, que ainda é um desafio para o setor e deverá ganhar destaque nos próximos 5 anos, este estoque poderá ser revertido em renda aos produtores.

No ambiente da produção sucroalcooleira, por exemplo, o RenovaBio (Política Nacional de Biocombustíveis – Lei 13.576/2017) está sendo implementado para fortalecer a produção de álcool e permitir a comercialização de CBios (créditos de carbono) em bolsas de valores. Iniciativas semelhantes estão sendo estudadas para o segmento florestal e poderão revolucionar o mercado nos próximos anos.

A exploração de produtos não-madeireiros também é uma alternativa para os produtores!

Muitas vezes, produtos não-madeireiros são explorados de forma industrial a partir do plantio de determinadas espécies, como Seringueiras (Látex) e Pinus taeda (taninos). No entanto, óleos, resinas, mudas, mel, extratos vegetais e muitos outros produtos podem ser extraídos de áreas florestais.

A exploração destes outros produtos costuma ocorrer principalmente em áreas de nativas, pois em geral apresentam grande variedade, baixo rendimento por unidade de área e requerem labor intensivo (muita mão-de-obra).

No entanto, estas atividades podem ser uma alternativa ao produtor quando consideramos suas implicações além da economia: auxiliam na manutenção da floresta e possuem grande impacto na comunidade local em que é realizada, o que muitas vezes valoriza a atuação de grandes empresas.

Além disso, produtos não-madeireiros podem ser explorados em áreas de Reserva Legal e auxiliar na recomposição destas áreas, tornando-as ambientalmente corretas e aproveitáveis economicamente.

Para viabilizar todas as possibilidades de exploração dos subprodutos florestais, é imprescindível que haja um planejamento de médio e longo prazo (considerando fatores produtivos, industriais e econômicos), e que este planejamento seja acompanhado até o final do ciclo produtivo.

Com estas ações, o produtor poderá identificar os gargalos de sua produção e o retorno de cada uma das etapas de exploração/produtos definidos por ele.

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